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O prefeito cassado de Sorocaba (SP), José Crespo (DEM), foi apontado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como chefe de um suposto esquema de corrupção na prefeitura.
Além dele, 17 investigados na Operação Casa de Papel foram denunciados por organização criminosa, entre outros mais de 10 crimes que variam de acordo com cada um. As denúncias contra o ex-prefeito, secretários, servidores públicos e empresários foram apresentadas na manhã desta terça-feira (10).
De acordo com o Gaeco, a organização se fortaleceu após a primeira cassação de Crespo, em 2017, com os objetivos de promoção pessoal e manutenção do poder. A “segunda cúpula” era composta pelo secretariado.
Conforme a promotora Maria Aparecida Castanho, ficou comprovado o envolvimento de várias secretarias no esquema, mas o Gaeco focou em duas delas e está investigando as outras paralelamente.
A denúncia apresentada à Justiça tem mais de 250 páginas. Durante a investigação, que durou quase um ano, os promotores comprovaram que houve fraude e direcionamento em licitações. Através da quebra de sigilo bancário dos envolvidos, o Gaeco identificou variações financeiras acima da remuneração recebida por eles.
Segundo a promotora, a organização criminosa superfaturava contratos e instituía pagamentos de propina (a chamada “taxa de retorno”). Foi apontado que houve benefício para empresários em 19 contratos.
Além disso, de acordo com o Gaeco, a ex-assessora de Crespo, Tatiane Polis, nunca se desligou da prefeitura e também recebia dinheiro no esquema, apesar de atuar como voluntária no governo. A promotora explica que ela era responsável pela agenda do grupo, que se reunia em um “gabinete estratégico”.
Os promotores juntaram três investigações (Casa de Papel, denúncia de irregularidades no voluntariado da prefeitura e contratos com a empresa de publicidade Dgentil), que, de acordo com eles, se interligam no prefeito cassado.
A Defesa de Hudson Zuliani afirmou que ainda não teve acesso aos termos da denúncia oferecida pelo Ministério Público, nem aos elementos que foram levados em consideração, pela autoridade judicial, para imposição das medidas cautelares diversa da prisão.
De qualquer forma, segue na defesa de seu cliente para provar que Hudson é inocente, e que não tem nenhuma participação nas atividades supostamente ilícitas apontadas pelo Ministério Público.
Na segunda-feira (9), a Justiça determinou uma série de restrições aos denunciados e, se eles descumprirem, podem ser presos.
Todos os envolvidos têm cinco dias para apresentar defesa, não podem mudar de endereço, ter contato com testemunhas ou frequentar a prefeitura, devem se apresentar à Justiça todo mês e não podem sair do país, devendo entregar os passaportes para a Justiça em até 24 horas.
Grupo 1:
Grupo 2:
Grupo 3:
A defesa do ex secretário Hudson Zuliani disse que ainda não teve acesso à denúncia do Ministério Público, mas alegou que ele não teve participação nas supostas atividades ilícitas apontadas na operação casa de papel.
A defesa do ex-secretário Eloi de Oliveira também informou que vai esperar a notificação do MP para avaliar se vai vai falar sobre o caso.
A reportagem da TV TEM não conseguiu contato com o ex-secretário Werington Kermes. O advogado do prefeito cassado José Crespo, que é o mesmo da ex-assessora Tatiane Polis, mas ele também não atendeu as ligações.
Desde o início das investigações todos os envolvidos negam participação no esquema dentro da prefeitura.
A Operação Casa de Papel foi deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público em abril do ano passado.
Na manhã do dia 8, policiais e promotores chegaram simultaneamente à prefeitura e às casas dos secretários na época Hudson Zuliani, Eloy de Oliveira e Werinton Kermes.
Na casa do empresário Felipe Bismara, dono de empresas que mantinham contratos milionários com a prefeitura, os policiais também cumpriram mandados de busca e apreensão.
A maior movimentação foi na prefeitura. Em praticamente todos os andares, policiais, investigadores e promotores apreenderam documentos, cópias de licitações e contratos entre o município e empresas suspeitas de corrupção.
De acordo com a polícia, a operação era para desarticular uma “organização criminosa que atuava na prefeitura”.
No dia da operação, a polícia pediu o desligamento de todos os servidores de internet da prefeitura para evitar que os dados dos computadores fossem apagados. A medida foi tomada depois que os agentes constataram tentativas de mudança de senha do sistema.
A partir do que foi apreendido, a polícia e os promotores do Gaeco começaram a montar um quebra-cabeça e ampliaram a investigação. Eles apresentaram um organograma indicando a participação de cada pessoa envolvida nas denúncias.
O então prefeito José Crespo foi apontado como o líder do esquema de corrupção, que também era formado por secretários municipais, servidores públicos e empresários.
*Com informações de Mayara Corrêa e Wilson Gonçalves Jr., da TV TEM.