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Quatro meses após Rio Tietê inundar bairro, moradores sofrem com falta d’água e vivem de doações

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Mesmo após quatro meses do Rio Tietê transbordar e deixar o bairro Fazenda Santa Ella alagado, em Araçariguama (SP), os moradores ainda afirmam que precisam de doações e que estão passando por um dos piores dilemas durante a pandemia de coronavírus: a falta de água.

O temporal em fevereiro fez a vazão do rio aumentar cinco vezes mais que o normal. Ao todo, 10 bairros foram atingidos pela cheia mas, dentre eles, o mais afetado foi o Santa Ella, onde mais de 100 famílias tiveram as casas invadidas pela água e ficaram desalojadas. A chuva forte causou a morte do morador Adriano Marcos de Melo, de 35 anos, na Estrada Imperial.

Entre as principais reclamações dos moradores estão a falta d’ água, alimentos e itens de higiene pessoal. Segundo eles, as doações que chegam são insuficientes para suprir as necessidades de quem mora no bairro e os problemas são agravados com o temor da contaminação pela Covid-19.

A dona de casa Rosy Martins relatou a reportagem que muito pouco se fez desde as enchentes de fevereiro e diz que todos se sentem esquecidos.

“O Santa Ella é um dos bairros mais distantes da cidade e é muito carente. Muitas famílias reclamaram pra mim que não receberam as doações que estavam no ginásio e os moradores se viram como podem. Ninguém recebeu ajuda da prefeitura, fomos esquecidos após as chuvas. Ainda está muito difícil”, reclama.

A dona de casa conta sobre a falta no abastecimento de água e teme novas contaminações pelo novo coronavírus.

“Estamos no meio de uma pandemia e até hoje existem pessoas necessitando de água potável para consumir e também se higienizar. Já faz um mês que o caminhão-pipa da prefeitura está quebrado, eles não arrumam e as famílias estão sem água para o básico, precisam se virar com doações e até água da chuva”, lamenta.

Rosy ainda relembra os momentos difíceis que precisou enfrentar.

“A minha filha entrou em trabalho de parto no dia da inundação, mas graças a Deus o meu netinho nasceu bem. Eu tenho dois idosos em casa, o meu avô de 95 anos e a minha mãe que é cadeirante e tem 71 anos. Eu perdi tudo na enchente. Os poucos móveis que eu tenho foi a minha família que doou. Aqueles dias foram complicados”, ressalta.

A família do pequeno Nícolas da Silva, de 8 anos, que na época chegou a ser presenteada por uma corrente do bem com uma nova camisa do Corinthians e uma festa de aniversário tematizada , afirmou que desde então depende da doação de voluntários, amigos e familiares.

A mãe do menino, a dona de casa Mariane da Silva, reclama da desassistência da prefeitura.

“Eles só deram suporte na semana em que a imprensa esteve no bairro. Depois de um mês não fizeram mais nada”, reclama.

Ela conta que, para proteger a família da Covid-19, tem tomado uma série de cuidados.

“As crianças não saem para lugar algum. Meu marido e eu saímos quando necessário. Quando chegamos em casa deixamos as roupas e calçados no tanque para limpar. Lavamos bem as mãos, inclusive eu ensinei a minha bebê de três a usar álcool em gel”, explica.

Mariane teme que o pesadelo do alagamento se repita na próxima temporada de chuvas. “Sentimos medo a cada chuva forte que cai. Temo pelo que virá no próximo verão”, conta.

De acordo com dados da prefeitura de Araçariguama, o bairro Santa Ella tem dois contaminados pela Covid-19.

A reportagem questionou a prefeitura de Araçariguama sobre as reclamações, mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem.

fonte: G1 Por Edilson Junior * Colaborou sob supervisão de Paola Patriarca

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